Festival de Teatro de Viana do Castelo 2025

15 – 22 novembro 2025

Boa noite! 

O meu nome é Ricardo Simões, sou um homem cisgénero, caucasiano, tenho 1,85m, cabelo negro curto, olhos castanhos, e estou vestido com uma camisa azul, calças cinzento escuro e sapatilhas-bota pretas. 

Descrevo-me em voz alta para o caso de estarem presentes pessoas cegas ou com baixa visão. 

Tenho a honra de dirigir o Festival de Teatro de Viana do Castelo e a companhia de teatro que o organiza, e que foi fundada em 1991: o Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, companhia residente do Teatro Municipal Sá de Miranda. 

Vamos dar início à nona edição deste festival de teatro cujas principais marcas distintivas são a diversidade dos espetáculos selecionados e a acessibilidade ao mais alargado leque de públicos possível. Ainda somos, e esperamos rapidamente deixar de o ser, o único festival de artes performativas português no qual todas as récitas contam com recursos de acessibilidade, tais como: 

O reconhecimento prévio de palco, feito 30 minutos antes do espetáculo começar, mediante inscrição prévia e que consiste numa exploração sensorial do espaço cénico e da cenografia; 

A audiodescrição, também para pessoas cegas ou com baixa visão – que é apoiada pela Rede de Teatros com Programação Acessível e a Fundação La Caixa; 

Também a pensar na comunidade cega, há dois programas do festival em formato A4 de dupla leitura, que incluem Braille. Estão no átrio e no Balcão de Atendimento do festival, no Café-Concerto aqui ao lado. 

Mas, como é que uma pessoa cega pode chegar a estes programas? O ideal, e tentámos este ano, ainda sem sucesso, ficará para o ano, é através do pavimento podo-tátil. Tentámos aplicar em todos os espaços públicos do teatro e do Café Concerto durante o festival. Mas ainda não conseguimos. De qualquer forma, mesmo que tivéssemos conseguido, o caminho podo-tátil exterior mais próximo do Teatro Municipal Sá de Miranda está relativamente perto daqui: na estação de comboios. No entanto, para uma pessoa cega é seguramente ainda muito longe. Fica a nota e o nosso compromisso de, no próximo ano, pelo menos durante o festival e nos espaços públicos do mesmo, termos este recurso de acessibilidade. Para já, e em qualquer situação, se uma pessoa cega, a dado momento, precisar de assistência da equipa do festival, pedimos que essa pessoa levante um braço para de imediato ser vista por uma pessoa da equipa de acolhimento do festival, e que logo se aproximará para auxiliar. Isto inclui a equipa de frente de sala deste teatro. 

Pela primeira vez, existe no festival, uma sala de repouso dedicada à comunidade de pessoas neurodivergentes que, em determinado momento, antes, durante ou depois de um espetáculo, possam necessitar de um espaço e um tempo que lhes permita estabilizarem do ponto de vista cognitivo. Reconvertemos temporariamente um gabinete para criar esse espaço para o festival, está assinalada no átrio e no Café-Concerto, fica no primeiro piso, no Salão Nobre. Uma sala sem poluição visual nem sonora, com luz controlável. Sempre aberta e à disposição de quem necessitar. Para as pessoas neurotípicas, que não precisam deste recurso, mas porque a consciencialização é para nós importante, podem passar por lá e, se não estiver a ser utilizada, naturalmente, pode ver como é este espaço que, no futuro, queremos ter de forma permanente no Café-Concerto. 

Existe um elevador no Café-Concerto que assegura o acesso de pessoas com mobilidade condicionada ao primeiro piso e também ao piso -1, onde estão as casas de banho deste edifício, que estão equipadas com artigos de higiene pessoal. 

Há uma equipa identificada com estes crachás preparada para ajudar cada pessoa no que for necessário, recorram a elas. 

A interpretação em Língua Gestual Portuguesa, para a comunidade Surda (com “S” maiúsculo), através dos nossos parceiros da CTILG: sabiam que é a segunda língua mais falada das três línguas oficiais de Portugal? Exatamente: A Língua Portuguesa; a Língua Gestual Portuguesa; e o Mirandês. Três idiomas oficiais de uma cultura. 

A dupla legendagem, em português e inglês: para pessoas não falantes de português e para a comunidade surda (sim, com minúscula) ou perda auditiva: com minúscula, pessoas com perda auditiva ou surdez que não se identificam com essa comunidade e/ou não utilizam Língua Gestual Portuguesa; comunidade Surda, com maiúscula, pessoas com perda auditiva ou surdez que utilizam Língua Gestual Portuguesa. Em alguns espetáculos, como o de hoje, a natureza improvisada de partes do texto não permite uma legendagem exata. Ainda assim, esses momentos aparecem assinalados. E, no caso de hoje, arriscaríamos dizer que a emoção irá compensar o racional. 

E a propósito de pessoas não falantes de português, queremos desafiar-vos para uma ação solidária: no átrio do teatro, está patente uma venda de artigos de marca assim como algumas publicações do Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana. Cada pessoa pode levar o que quiser. Em troca, pedimos que deixem o contributo que quiserem. Desta forma, a Companhia está, ao mesmo tempo, a desocupar espaço de arquivo e a apoiar uma causa social. Aproveitem para fazer o mesmo: levem uma lembrança nossa e contribuam connosco para a Associação Terra de Todos, que se dedica à comunidade imigrante da região de Viana do Castelo e que tem mais de 300 associados. Pessoas que também têm todo o direito a uma integração digna, e que só é completa se também passar pelo acesso à fruição cultural. Porque este festival também é deles e para eles, na sua diversidade. No final do festival divulgaremos publicamente o valor angariado. 

Também no átrio, e no Café-Concerto, podem deixar-nos uma mensagem escrita num dos nossos livros de visitas feitos com papel reaproveitado. Por isso não estranhem se forem escrever algo e a página ao lado for de um relatório e contas de 2018, por exemplo. Não se preocupem. As nossas contas são públicas e não temos nada a esconder. Escrevam à vontade e deixem-nos as vossas sugestões, pois elas são muito importantes para nos ajudar a melhorar.

Todos estes recursos estão sintetizados na Carta de Sustentabilidade do festival, que se encontra exposta nos espaços públicos do festival, assim como nos programas digitais. De igual modo, podem e devem consultar o Código de Conduta do festival, também afixado e publicado. 

Este abrangente conjunto de práticas faz parte de um compromisso que o Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana assumiu em 2023, no âmbito da Convenção dos Teatros Europeus, rede que integramos, com o Livro Verde dos Teatros, um guião para a descarbonização das práticas artísticas e dos edifícios culturais como este, até 2030. Existem quatro níveis de certificação e neste momento ainda nenhum teatro a nível europeu conseguiu preencher todos os requisitos de um processo de sustentabilidade ambiental, social, económica, cultural e institucional. Somos 75 teatros europeus numa dinâmica partilhada de boas práticas que visa motivar cada parceiro para a mudança sustentável. Por vezes, as pequenas mudanças, como apagar a luz antes de sair, podem parecer insignificantes. Mas todas juntas, e a partir de cada um de nós, as nossas pequenas mudanças é que fazem acontecer as grandes mudanças. Começámos há dois anos. E no passado dia 8 de novembro, em Riga, na Letónia, o Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana foi distinguido com o nível “Intermédio”, o terceiro dos 4 níveis do Livro Verde dos Teatros. Connosco, de Viana do Castelo, foram também distinguidas companhias e teatros de Bilbao, Amesterdão e Praga, à frente dos demais 71 membros. E, neste momento, esta companhia de teatro é a que está mais próxima de se tornar a primeira, a nível da União Europeia, a receber a Certificação Avançada do Livro Verde dos Teatros. E, como uma das boas práticas é precisamente celebrar e partilhar os sucessos do caminho com as equipas e a comunidade, queremos partilhar convosco, dedicando-o a toda a cooperativa, equipa, parceiros e públicos do Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, este selo europeu “Intermédio”! 

Quanto ao programa do festival vocês já o conhecem. Para além de constar no site tmsm.pt, está neste desdobrável gratuito que, juntamente com o passe do festival, são os dois únicos materiais em papel que o festival produz. O passe custa 10 euros, dá direito a bilhetes a 3 euros e quem comprar bilhetes para 6 dos 11 espetáculos do festival, ganha uma assinatura do nosso Cartão CLAN para 2026. 

Ainda assim, permitam que destaque 4 momentos: 

O espetáculo que vamos ver de seguida: o teatro vivemos também para momentos como o de hoje. Obrigado Mestre Ruy de Carvalho, por voltar a Viana do Castelo e a este Teatro Municipal Sá de Miranda! 

O debate para o qual vos convidamos na próxima segunda-feira, das 15h00 às 16h30, sobre o tema “Interferência Política nas Artes: Pela Liberdade Artística Contra a Censura!” que será moderado pela jornalista Anabela Mota Ribeiro e contará com a participação digital do encenador suiço Milo Rau e das programadoras e artistas Aida Tavares, Paula Mota Garcia e Sara Barros Leitão. Vamos abordar este tema que no Leste Europeu tem já uma expressão assustadora e que no nosso país, infelizmente, está a recrudescer e por isso trazemos três exemplos do presente em Portugal mas também a nível global, com Milo Rau. A entrada é livre. 

O espetáculo de Esther Carrodeaguas no dia 19, quarta-feira, vindo da Galiza, e que abrange a efeméride de Viana do Castelo ser Capital da Cultura do Eixo Atlântico, num monólogo poderoso. 

E o coletivo Familie Flöz, com o imperdível “Hokuspokus”, espetáculo visual sem texto com música ao vivo que nos vai arrebatar. 

E não esquecer que amanhã de manhã e à tarde há teatro para famílias e à noite outro espetáculo aqui! 

Já sabem que o Festival de Teatro de Viana do Castelo conta o apoio do Ministério da Cultura da República Portuguesa através da Direção-Geral das Artes, assim como é uma organização conjunta com a Câmara Municipal de Viana do Castelo, cuja presença expressiva saudamos na pessoa do Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Dr. Manuel Vitorino.

Agradecemos também aos parceiros do festival, como o Parque 1º de maio, através do qual o estacionamento durante os espetáculos custa apenas 2 euros, bastando para isso apresentar o bilhete do espetáculo no pagamento. Mas também a todos, Crédito Agrícola, DS Smith, Dona Aninhas AP, Hotel Rally, Casa de S. José, Casa Manuel Espregueira e Oliveira. 

Obrigado também às equipas do festival: a equipa do Teatro Municipal Sá de Miranda e a equipa do Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana. 

Obrigado a todas as companhias e artistas que de hoje até ao próximo sábado vão fazer esta edição do Festival de Teatro de Viana do Castelo. 

E, claro, obrigado a cada uma e a um de vós também por este grande “bocadinho”.

Bom Festival!

Yellow Star Company
15 novembro | 21h00
Sala Principal
PT | M/6 | 75 minutos

Sinopse
Simplesmente “Ruy” ou Ruy de Carvalho.
Figura máxima do Teatro em Portugal sobe ao palco, abre o coração e conta histórias inéditas da sua longa e inspiradora carreira.
Histórias de amor, histórias de humor e até mesmo histórias para nos emocionar.
É Ruy de Carvalho como nunca o vimos e ouvimos!
Ao longo de cerca de uma hora, ninguém fica indiferente à sua faceta menos conhecida de contador de histórias.
E porque não é todos os dias que temos Ruy de Carvalho perto de nós, o público é convidado a fazer perguntas ao ator, fazendo desta experiência mais do que um espetáculo, mas uma conversa intimista entre amigos.
E que melhores amigos o Ruy podia ter para conversar senão o seu público?
“Ruy, a História Devida” é o espetáculo que não pode perder.

Acessibilidade
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa

Ficha Técnica
Encenação | Paulo Sousa Costa
Elenco | Ruy de Carvalho e Luís Pacheco
Texto | Paulo Coelho
Cenografia e figurinos | Anne Carestiato e Fernanda Dias

Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana
16 novembro | 11h00 | 16h00
Sala Experimental
PT | M/6 | 30 minutos

Sinopse
Ao longo da vida o nosso paladar muda. Mas os adultos é que decidem o que é a comida! Só porque ainda não sabemos cozinhar e, dizem eles, porque se nos deixassem só comíamos “porcarias”… Depois não querem que cheguemos à mesa e digamos… outra vez peixe?!

Acessibilidade
Atividade familiar pós-espetáculo
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa (sessão das 16h00)

Ficha Técnica
Cocriação | Adriel Filipe, Elisabete Pinto, Ricardo Simões, Tiago Fernandes
Cocriação e Interpretação | Nuno J. Loureiro

Companhia de Teatro de Braga
16 novembro | 21h00
Sala Principal
PT | M/14 | 80 minutos

Sinopse
Edward Bond, dramaturgo, poeta e argumentista britânico, (1934 – 2024) uma das vozes mais incómodas da cultura britânica, autor de várias e importantes peças que reconstruiram o teatro da Europa a partir dos anos 60, do século passado, num contexto de guerra fria e de ameaça nuclear. As Pessoas das Latas de Conserva, texto que integra a trilogia (As Peças da Guerra) é exemplo paradigmático dum tempo que imaginávamos morto e que afinal redescobrimos agora que definitivamente não. O “poeta de uma época de crises”, o ensaísta que devolveu ao teatro a sua força subversiva e que quis provar que “deve e pode haver poesia depois de Auschwitz”.

Acessibilidade
Conversa pós-espetáculo
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa

Ficha Técnica
Autor | Edward Bond
Tradução da peça e textos de apoio | Sílvia Brito
Dramaturgia, encenação e espaço cénico | Rui Madeira
Interpretação | André Laires, Silvia Brito, Rogério Boane, Bárbara Pais, Solange Sá, Eduarda Filipa, Carlos Feio
Iluminação | Sérgio Lajas

Peripécia Teatro
17 novembro | 21h00
18 novembro | 11h00 | 15h30
Sala Principal
PT | M/12 | 75 minutos

Sinopse
Uma criação original da Peripécia Teatro da autoria de Ángel Fragua, Noelia Domínguez e Sérgio Agostinho, três atores oriundos dos dois países Ibéricos. Esta criação remonta a 2004 e circulou por inúmeros teatros e festivais durante 13 anos em Portugal, Espanha e Brasil, tendo chegado a milhares de espetadores. Com o propósito de celebrar os 20 anos de história da companhia o elenco propõe-se revisitar esta criação que foi um marco na história da Peripécia Teatro, promovendo uma reflexão divertida (e crítica) sobre a História peninsular, e um contributo para a aproximação cultural através da arte. Aproveitará para prestar homenagem a um dos mestres do teatro dos séculos XX e XXI que mais inspirou esta criação (e de forma transversal o percurso da Peripécia Teatro): Peter Brook, recentemente desaparecido.

Acessibilidade
Audiodescrição (Dia 18 | 11h00)
Conversa pós-espetáculo (Dia 17)
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa (Dia 18 | 15h30)

Ficha Técnica
Direção e Co-criação | José Carlos Garcia
Criação e Interpretação: Ángel Fragua, Noelia Domínguez, Sérgio Agostinho e Bruno Mazeda (Música e Sonoplastia ao vivo)
Direção Técnica, Desenho de Luz e Som | Nuno Tomás

Cem Palcos
18 novembro | 18h30
Sala Experimental
PT | M/12 | 50 minutos

Sinopse
Nos anos 40 do século XX, nas regiões serranas do centro e norte de Portugal, a mineração do volfrâmio surgiu como um milagre económico, uma “febre do ouro negro” que prometia transformar a vida de muitos lavradores — até então a viver no limiar da fome —, oferecendo-lhes a possibilidade de alcançarem pequenas ou grandes fortunas. Poucos terão parado para pensar nas consequências sociais, ambientais e políticas das minas, ou na razão que levava ingleses e alemães a correr atrás da “baba do lobo”. O tão desejado volfrâmio (do alemão lobo + baba), ou tungsténio (do sueco pedra + pesada), é utilizado em ligas metálicas na indústria de armamento.
A CEM Palcos (Portugal) e o Teatro Vila Velha (Brasil) juntam-se na criação de um espetáculo que questiona e reivindica, com urgência, a necessidade de olharmos para o passado, para informar o presente e preparar um futuro mais justo para nós e para o sistema ecológico de que fazemos parte.

Acessibilidade
Conversa pós-espetáculo
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa

Ficha Técnica
Encenação | Graeme Pulleyn, Marcio Meirelles
Elenco | Cristina Castro (Hilda), Leonor Keil (Hilda), Graeme Pulleyn (voz de Adolfo), Wilson De França (Narrador)
Sonoplastia, Produção e Direção Musical | João Milet Meirelles, Gongori
Direção, Pesquisa e Edição de Vídeo | Leandro Valente, Rafael Grilo
Fotografia e Captação de Imagens Originais | Leandro Valente
Cenografia | Erick Saboya
Pintura da Tela | Luisa Brizê
Figurinos | Marcio Meirelles
Desenho de Luz | Marcos Dedê

Companhia do Chapitô
19 novembro | 21h00
Sala Principal
PT | M/14 | 75 minutos

Sinopse
A partir da obra de William Shakespeare Rei Lear decide dividir o seu reino entre as suas filhas. Antes de o fazer, porém, desafia-as a provar o seu amor. As duas mais velhas agem conforme esperado, mas a mais nova recusa-se a afirmar seja o que for. A relutância desta enfurece-o e é banida para sempre. Lear divide assim o país entre as suas duas filhas mais velhas. Julgando mal a sua lealdade, rapidamente se vê despojado de todas as armadilhas de estado que o definiam – poder e riqueza. Nesta versão minimalista de Rei Lear, três intérpretes dão corpo a todas as personagens, movendo-se numa ação incessante de liberdade. O meta-teatro, que expõe a relação entre ficção e realidade, revelando os seus dispositivos de construção, emerge como a chave deste jogo. Um mecanismo vital para resistir à tragédia. Não se trata apenas de narrar uma história, trata-se de habitá-la, desafiá-la, desdobrá-la em movimentos que transformam corpos, vozes e espaços em algo instável, efêmero, intencionalmente artificial. O palco, esse território mutável, é o lugar onde as personagens se dissolvem e se recompõem, onde os intérpretes transitam sem aviso entre camadas de interpretação, expondo as entranhas do poder e da ganância. São eles, os atores, o coração pulsante da obra, ao mesmo tempo múltiplos e singulares, enquanto erguem e destroem o jogo cénico, revelando um espetáculo que é tanto sobre Rei Lear quanto sobre a própria essência de contar uma história.

Acessibilidade
Conversa pós-espetáculo
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa

Ficha Técnica
Encenação | José C. Garcia
Interpretação | Carlos Pereira, Susana Nunes e Tiago Viegas
Assistência de Encenação / Produção | Leandro Araújo
Movimento | Maria Radich
Direção de Produção | Tânia Melo Rodrigues
Sonoplastia | Rui Rebelo
Desenho de Luz | Nuno Patinho
Operações Técnicas | Francisco Ornelas
Design Gráfico | Sílvio Rosado
Audiovisuais | Frederico Moreira, João Mendes
Comunicação | Cristina Carvalho

Saaraci Coletivo Teatral
20 novembro | 18h30
Sala Experimental
PT | M/6 | 70 minutos

Sinopse
Cabral Corpo consiste numa (re)interpretação do legado simbólico de Amílcar Cabral no contexto performático, num contexto artístico contemporâneo, não só cabo-verdiano, como também na imensa amplitude geográfica onde o pensamento de Cabral é visto como de importância histórica. Esta é uma criação na fronteira entre o teatro, a dança e a performance, que desagua nos corpos crioulos (no sentido cabo-verdiano do termo), com as suas manifestações de raiz popular, as suas paisagens topográficas, os seus movimentos, as suas partituras energéticas, partindo da premissa sobre a dança de que o movimento exterior é subordinado ao sentimento interior. É a partir deste movimento interior, construído no território cabo-verdiano e na diáspora, que surge este processo criativo, e com ele se manifesta nos corpos, enquanto identidade, matriz e DNA sociocultural.

Acessibilidade
Conversa pós-espetáculo
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco

Ficha Técnica
Encenação e Direção Artística | Sara Estrela
Cenografia e Espaço Cénico | João Branco
Apoio na Dramaturgia | Filinto Elísio, a partir de escritos de Amílcar Cabral
Interpretação | Emerson Henriques, Nuno Barreto e Zeca Cardoso
Direção Musical | e apoio à Criação Jeff Hessney
Desenho de Luz | Péricles Silva
Produção e Figurinos | Janaina Alves
Fotografias e Apoio à Criação | Sofia Berberan
Coprodução | Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre / Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana / Festival Mindelact
Parcerias | Companhia Nacional de Espetáculos, Um Coletivo, Associação Caboverdiana

Butacazero
20 novembro | 21h00
Sala Principal
ES | M/16 | 55 minutos

Sinopse
Com sinceridade crua e o seu clássico humor irónico, Carrodeguas aborda neste texto de auto[NÃO]ficção a relação com o seu corpo, marcada pela gordofobia que se respira em qualquer recanto desta apaixonante sociedade da beleza. Porque por mais que te escondas, a gordofobia está sempre ao teu lado. Sobretudo porque está em ti.

Acessibilidade
Conversa pós-espetáculo
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa

Ficha Técnica
Texto e Interpretação | Esther F. Carrodeguas
Encenação | Xavier Castiñeira
Sonoplastia | Juanma Lodo
Fotografias | Ana Barceló
Produção e Distribução | Esther F. Carrodeguas
Comunicação | Rubén Capelán

Teatro Meridional
Teatro Regional da Serra do Montemuro
21 novembro | 21h00
Sala Principal
PT | M/12 | 70 minutos

Sinopse
Dois homens e uma rapariga querem mais da vida. Do interior para a cidade, nos anos sessenta do século passado, da cidade para o interior, na atualidade, a sua história é uma metáfora das migrações nas últimas décadas e, também, das desigualdades territoriais neste canto da Europa.

Acessibilidade
Conversa pós-espetáculo
Legendagem em português e inglês
Reconhecimento de palco
Tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa

Ficha Técnica
Texto | José Luís Peixoto
Encenação e Desenho de Luz | Miguel Seabra
Interpretação | Abel Duarte, Cristiana Sousa, Eduardo Correia
Espaço Cénico e Figurinos | Hugo F. Matos, Miguel Seabra
Música Original e Espaço Sonoro | Rui Rebelo
Fotografia | Susana Monteiro
Assistência de Encenação | Mariana Lencastre
Assistência de Cenografia e Figurinos | Marco Fonseca (Teatro Meridional), Carlos Cal, Conceição Almeida (Teatro do Montemuro)
Montagem e Operação Técnica | André Reis (Teatro Meridional), José José (Teatro do Montemuro)

Companhia Caótica
22 novembro | 11h00
22 novembro | 16h00
Sala Experimental
PT | M/3 | 40 minutos

Sinopse
Escuta: eu toco, tu tocas, nós tocamos. Mas tem de haver tocas para todos, uma toca para cada um existir nela. Não ter medo, cantar, dormir, comer, amar. Onde está a minha tocaaaaaaaa?
Dois músicos-performers estão no meio do público, abolindo o dentro-fora, o palco-plateia. Toda a gente a partilhar a mesma toca, protegendo-se e cuidando uns dos outros. Lá fora pode chover ou fazer frio, mas aqui estamos quentinhos e a fazer por estar bem. Temos direito, não é?
TOCAS é um espetáculo sem palavras que fala da nossa necessidade de uma casa e de afecto.
Partimos do som e estamos também a falar daquilo que queremos para as nossas vidas: muitos toques dentro da toca.

Acessibilidade
Atividade familiar pós-espetáculo
Reconhecimento de palco

Ficha Técnica
Direcção Artística | António-Pedro, Caroline Bergeron
Música, Co-criação e Interpretação | António-Pedro, Alban Hall
Encenação | Caroline Bergeron
Cenografia | Sara Franqueira
Desenho de Luz | Melânia Ramos
Orientação Vocal | Manon Marques
Direção de Produção | João Moreira
Comunicação | Julia Medina
Difusão | Linda Campos
Residências | CRL – Central Elétrica, OSSO Colectivo
Agradecimentos | Andrea de Paula, Graça Passos, Moz Carrapa
Coprodução | CCB / Fábrica das Artes

Familie Flöz
22 novembro | 21h00
Sala Principal
DE | M/12 | 80 minutos

Sinopse
Em Hokuspokus, tudo é falso, mas nada é falso. Nada é mais real do que estas máscaras. A Familie Flöz dá vida a um delírio metateatral que é poético e inovador, atávico e sensorial, físico e mágico ao mesmo tempo.

Acessibilidade
Reconhecimento de palco

Ficha Técnica
Conceção | Fabian Baumgarten, Anna Kistel, Sarai O’Gara, Benjamin Reber, Hajo Schüler, Mats Süthoff, Michael Vogel
Interpretação | Fabian Baumgarten, Anna Kistel, Sarai O’Gara, Benjamin Reber, Mats Süthoff, Michael Vogel
Encenação, Máscaras | Hajo Schüler
Figurinos | Mascha Schubert
Cenografia | Felix Nolze
Música | Vasko Damjanov, Sarai O’Gara, Benjamin Reber
Desenhos | Cosimo Miorelli
Assistência, confecção de Máscaras | Lei-Lei Bavoil
Assistência à Encenação | Katrin Kats
Assistência aos Figurinos | Marion Czyzykowski
Iluminação, Vídeo | Reinhard Hubert
Desenho de Som | Vasko Damjanov
Gestão de Produção | Peter Brix
Administração da Companhia | William Winter
Gestão da Companhia | Gianni Bettucci

17 novembro | 15h00
Sala Experimental

Além dos espetáculos, o festival acolhe uma das iniciativas mais relevantes da sua programação paralela: o debate “Interferência Política nas Artes: Pela Liberdade Artística Contra a Censura“, com a participação por videoconferência de Milo Rau, encenador e diretor do Festival de Viena, no contexto da campanha global pela arte e pela democracia Resistance Now! Together (Resistir agora! Juntos). Impulsionada pelo próprio Milo Rau no final do ano passado, a campanha — que já conta com mais de 200 organizações culturais a nível global, entre as quais o Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana e o seu festival — que unem na defesa da liberdade artística contra a qualquer tipo de censura.
Juntam-se ao painel as vozes de Paula Mota Garcia e Sara Barros Leitão, numa conversa moderada por Anabela Mota Ribeiro, para discutir os desafios atuais à liberdade de expressão e as formas de resistência nas artes.

Anabela Mota Ribeiro


Fotografia de Estelle Valente

Nasceu em 1971 em Trás-os-Montes. Vive e trabalha em Lisboa.
Fez a licenciatura e o mestrado em Filosofia na Universidade Nova de Lisboa. No doutoramento, em curso, prossegue o estudo do escritor brasileiro Machado de Assis. Foi visiting research fellow da Brown University em 2019.
Publicou, entre outros, os livros Paula Rego por Paula Rego (2016), A Flor Amarela – Ímpeto e Melancolia em Machado de Assis (2017), Por Saramago (2018).
Jornalista freelance, colaborou com diversos jornais e revistas e trabalhou em rádio. É autora e apresentadora de programas de televisão, sendo o mais recente Os Filhos da Madrugada na RTP3 (2021, 22, 24 e 2025).
Enquanto programadora cultural, colabora com instituições de referência. Foi co-curadora do Folio (2015 e 2016, Óbidos), e assinou, com José Eduardo Agualusa, a programação da Feira do Livro do Porto (2017, 2018 e 2020). Integrou a equipa curatorial do FeLiCidade, festival da Língua e da Liberdade, no CCB (2024) onde se ocupou, com André e. Teodósio, da variante Língua e Pensamento. Concebeu e modera o ciclo de cinema e conversas Um Filme Falado na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, em Serralves (desde 2022).
Foi membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra entre 2020 e 2024, é membro do Conselho Geral do ISCTE desde Set 2025.
O essencial do seu trabalho está reunido em www.anabelamotaribeiro.pt.
O Quarto do Bebé (Quetzal, 2023, Bazar do Tempo, 2025) é o seu primeiro romance.

Paula Mota Garcia

Coordenadora da equipa de missão da candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura em 2027, Paula Mota Garcia tem feito um percurso profissional, sobretudo, na área da programação cultural enquanto estratégia de desenvolvimento de territórios e de públicos.
A par do desenvolvimento de conceitos que relacionam a arte com outras escalas da dimensão humana, como a educação ou a economia criativa, tem coordenado vários projetos de intervenção artística em comunidades específicas e trabalhado com outros programadores, nomeadamente, na criação/consolidação de redes de programação, ao nível regional e nacional, tendo estado, diretamente, envolvida na criação da PERFORMART – Associação para as Artes Performativas em Portugal (outubro 2016). Releve-se ainda o desenvolvimento de parcerias com empresas, contribuindo para o aprofundamento do mecenato cultural em Portugal. Até março de 2020, foi diretora-geral e de programação do Teatro Viriato (Viseu, Portugal), instituição com quem colaborou desde 1999, tendo recebido em setembro de 2019, pelas mãos de Sua Excelência o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o título de Membro Honorário da Ordem do Mérito, atribuído ao CAEV/Teatro Viriato, a propósito dos seus 20 anos de atividade. Nos últimos anos tem sido convidada para proferir comunicações em conferências/encontros de âmbito nacional e internacional, bem como para a redação de textos para edições em torno da sua experiência nas artes performativas.

Sara Barros Leitão


Fotografia de Joanna Correia

Sara Barros Leitão nasceu no Porto, em 1990. Formou‐se em Interpretação pela Academia Contemporânea do Espetáculo, iniciou a licenciatura de Estudos Clássicos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e iniciou o Mestrado Estudos sobre as Mulheres – Género, Cidadania e Desenvolvimento, na Universidade Aberta. Não concluiu nenhum.
É atriz, encenadora e dramaturga e trabalha regularmente em televisão, cinema e teatro.
Atualmente, dirige a estrutura artística, Cassandra, onde cria os seus projetos e os seus espetáculos.

Preçário

10€ – Bilhete normal

5€ – Bilhetes para grupos (mínimo de 4 pessoas), maiores de 65 anos, menores de 30 anos, desempregados/as, membros da TEIA, grupos organizados pelas Juntas de Freguesia de Viana do Castelo e profissionais de teatro (mediante apresentação de documento comprovativo no ato da compra).

10€ – Passe do Festival de Teatro de Viana do Castelo. Este passe garante o 1º bilhete a 3€ para cada espetáculo do Festival (restantes bilhetes para cada espetáculo a 5€), mediante a disponibilidade da sala. O passe encontra-se à venda exclusivamente no Teatro Municipal Sá de Miranda.

Bilhetes disponíveis na bilheteira do Teatro Municipal Sá de Miranda e em bol.pt.
A compra dos bilhetes com desconto é efetuada exclusivamente na bilheteira do Teatro.
Não se efetuam reservas de bilhetes.

Conversas Pós-Espetáculo

Imediatamente após cada espetáculo, é dinamizada uma conversa entre os intérpretes, os criadores e os públicos, favorecendo a colocação de perguntas, comentários, críticas e concorrendo para uma mais ampla mediação de cada objeto artístico.

Reconhecimento de Palco

Previamente agendado, e meia hora antes do início de cada espetáculo, é feito o reconhecimento sensorial e tátil da área de representação e/ou dos figurinos, assim como o reconhecimento das vozes dos intérpretes, com os espetadores cegos ou com baixa visão. Este serviço é preparado e conduzido pela equipa de Audiodescritores, que realizam a Audiodescrição dos espetáculos.

Programa do Festival em Braille

Está patente no átrio do Teatro Municipal Sá de Miranda e no Café Concerto do mesmo, o Caderno de Programação em Braille do Festival de Teatro de Viana do Castelo. Este Caderno é realizado em parceria com a associação vianense Íris Inclusiva.

Tradução Simultânea para Língua Gestual Portuguesa

Em simultâneo com a representação de cada espetáculo é feita a sua tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa por uma equipa da CTILG – Serviços de Tradução e Interpretação em Língua Gestual Portuguesa, particularmente destinada aos espectadores surdos.

Audiodescrição

A audiodescrição é uma ferramenta de acessibilidade que traduz imagens em palavras faladas, tornando conteúdos visuais acessíveis a pessoas com deficiência visual (cegas ou com baixa visão), bem como a pessoas com deficiência intelectual, dislexia, TDAH e idosos. Esta descrição refere-se à linguagem corporal, expressões, movimentos e intenções. O Audiodescritor prepara um guião a partir do texto do espetáculo. É instalada uma cabine insonorizada na sala do espetáculo e o Audiodescritor fala a partir de um microfone. Cada utilizador tem em sua posse um auricular que coloca apenas num ouvido, conseguindo assim ouvir as falas do espetáculo e a audiodescrição.

Legendagem

Aquando da apresentação de espetáculos de teatro, estará acessível o recurso de legendas em Português e Inglês. O recurso à legendagem permite que a arte cénica ultrapasse as barreiras linguísticas e culturais, tornando assim o espetáculo mais acessível a uma audiência global, promovendo o acesso social e intelectual à participação cultural. Esta ferramenta proporciona uma experiência enriquecedora, tornando o enredo e o diálogo mais compreensíveis, e possibilitando que pessoas com deficiência auditiva desfrutem das apresentações. Este serviço é realizado com a colaboração da equipa Hein – Tradução e Legendagem.